Bauru chega a 2026 em uma encruzilhada. Se por um lado a cidade ostenta números de metrópole e um orçamento que ultrapassa a casa dos bilhões, por outro, convive com feridas abertas que a gestão de Suéllen Rosim terá de enfrentar com mais do que retórica política: será necessário eficiência cirúrgica. Com uma população estimada em 379.146 habitantes (Censo IBGE/2022 com projeções), a complexidade de gerir Bauru reside no contraste entre o seu potencial econômico e o cotidiano precário de quem vive longe do centro.
O Mapa do Dinheiro: Orçamento 2026
Para 2026, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de Bauru prevê uma receita recorde que ultrapassa os R$ 2,1 bilhões. No entanto, a distribuição revela onde estão os gargalos e as prioridades:
- Educação e Saúde: Consomem as maiores fatias (aproximadamente 25% e 15%, respectivamente, conforme exigência constitucional e demandas crescentes), mas ainda sofrem com falta de vagas em creches e filas em UPAs.
- DAE (Departamento de Água e Esgoto): Com orçamento próprio robusto, a autarquia é o foco das crises, com recursos drenados para reparos emergenciais em vez de investimentos estruturais.
- Zeladoria e Infraestrutura: Secretarias como a de Obras e Administrações Regionais (SEAR) lutam com orçamentos fragmentados para dar conta de uma malha asfáltica envelhecida.
A Máquina Pública: O Exército de Servidores
A Prefeitura de Bauru conta com um quadro aproximado de 12.000 funcionários municipais (incluindo administração direta, DAE e FUNPREV). Este contingente representa o maior gasto fixo da cidade. O desafio da prefeita é equilibrar a valorização do servidor com o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, garantindo que a máquina trabalhe para o cidadão e não apenas para a sua própria manutenção.
A Realidade das Periferias: Onde a Cidade “Dói”
Enquanto o centro expande-se com prédios de luxo, a periferia de Bauru (regiões como o Fortunato Rocha Lima, Pousada da Esperança e Edson Francisco da Silva) enfrenta dificuldades que parecem estagnadas no tempo:
- Crise Hídrica: A falta de água é mais cruel onde não há caixas d’água de grande capacidade.
- Transporte Coletivo: Linhas escassas e frotas antigas dificultam o acesso ao emprego e estudo.
- Zeladoria: Mato alto, falta de iluminação e ruas de terra ou esburacadas isolam comunidades e aumentam a sensação de insegurança.
Problemas Crônicos: A Herança de Décadas
Suéllen Rosim enfrenta problemas que não nasceram em sua gestão, mas que agora levam seu carimbo:
- O “Nó” do Esgoto: A conclusão da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Vargem Limpa é uma novela de décadas que sangra os cofres públicos.
- Drenagem Urbana: As enchentes na Avenida Nações Unidas são o símbolo máximo da falha de engenharia histórica que a prefeitura tenta mitigar sem uma solução definitiva.
Previsão de Futuro: Bauru Pode Mais?
O futuro de Bauru depende da capacidade da gestão atual em converter o orçamento recorde em soluções tecnológicas e desburocratização. A cidade tem vocação para ser um polo de inovação e saúde no interior paulista, mas está presa a uma infraestrutura de meados do século passado.
Conclusão: 2026 será o ano da prova de fogo. Com a reempossagem da prefeita, o tempo das promessas acabou. O bauruense não quer apenas ver o asfalto chegar; ele quer abrir a torneira e ter água, chegar à UPA e ter médico, e sentir que os impostos de uma cidade bilionária estão, finalmente, retornando para quem mais precisa.


